Resenha Histórica

SEPINS
 
Sepins é uma freguesia do concelho de Cantanhede, no distrito de Coimbra situada a cerca de 11 quilómetros da sede concelhia. É composta pelos lugares de Escapões, Espinheiro, Olho e Sepins. O seu orago é S. João Baptista, celebrado anualmente a 24 de Junho. João Baptista foi, de acordo com Jesus Cristo, o “maior de todos os profetas”. Filho de Isabel (prima da virgem Maria) e de Zacarias (sacerdote), nasceu quando seus pais eram já idosos, sendo o nascimento anunciado por anjo. João começou por pregar no deserto da Judeia, o que lhe deu a designação bíblica de “ a voz que clama no deserto”, e a baptizar aqueles que o seguiam. Espelhou a mensagem de que as pessoas se deviam arrepender pois o Reino dos Céus tinha chegado. João Baptista foi preso por criticar publicamente o casamento incestuoso de Herodes Antipas com sua cunhada, Herodíades; foi executado sem julgamento, porque Salomé, Filha de Herodíade, deliciou Herodes com sua dança, pelo que ele concordou em conceder-lhe um desejo; Salomé, incentivada por sua mãe, pediu a Herodes a cabeça de João Baptista, ao que Herodes acendeu. No Novo Testamento, João Baptista saúda Jesus com cordeiro que era levado para a matança para carregar os pecados da humanidade.
A primeira referencia escrita relativa à freguesia de Sepins remota ao século XII, constando num documento de Março 1129 onde se menciona a povoação de Alfora, actual lugarejo da freguesia.
 
A igreja de Sepins foi doada à Sé de Coimbra em 12 de Julho de 1086 pelos fundadores Martinho Iben Atumad e sua mulher Munnia Zulemen, sendo um priorado da apresentação do cabido da Sé de Coimbra.
 
Do acervo patrimonial da freguesia de Sepins são de referir: a Casa dos Távoras, as ruínas de moinhos de água e de vento, as várias capelas, os cruzeiros e a “Cova do Moura” que de acordo com a tradição, foi uma galeria escavada pelos Mouros, para se esconderem, e que tem cerca de 8 quilómetros.
 
ARQUEOLOGIA 
Comportando uma orografia animada por alguns pequenos acidentes de relevo, Sepins regista uma apreciável antiguidade de povoamento, já que em seu aro terão vindo a ser reconhecidos numerosos achados comprovativo da presença humana em épocas pré e proto-históricas. Na área setentrional da freguesia, em zona planáltica conhecida pela designação genérica de Chã – a qual assume evidente sentido topográfico – e ainda pelo interessante topónimo Cova da Moura e hagiotopónimo S. Martinho, têm ocorrido sucessivas recolhas de artefactos líticos, bem assim como de  materiais atribuídos a Idade do Bronze e ao domínio da romanização. As descobertas foram objecto de noticias recentes, por intermédio de João Reigota, no seu tentame monográfico sobre a região da Gândara, na forma que segue:
“Pelo Dr. Carlos Cruz foram recolhidos 35 machados de pedra polida, 30 lâminas, 17 pontas de seta, 1 conta de colar, centenas de lascas, núcleo de sílex, mós manuais, fragmentos cerâmicos, motivos decorativos impressos e incisos, cerâmica romana, telhas, ladrilhos, tijolos e 5 pesos de tear.
 
Pelo D. Mário Andrade foram recolhidos: 15 machados de bronze, 10 pontas de seta, 15 laminas, raspadores, fragmentos de mós, 25 fragmento de cerâmica decorativa.
 
Pelos Drs. Reis Santos, Júlia Célia e outros foram recolhidos: 22 machados, 1 machado de bronze e 1 ponta de seta e ainda moedas do séc. II d.C. e III d.C.”
 
Outra das vertentes patrimoniais de certo interesse em Sepins, respeitará aos imóveis, tanto de cariz religioso como de índole civil, neste último domínio se realçando a subsistência de um apreciável exemplar de estrutura residencial solarenga, designada casa dos Távoras.
 
“Da primitiva igreja de Sepins conserva-se uma capela-mor um belo tímpano romântico, que uma inscrição moderna diz ter sido datado de 1118. Representa Cristo em Majestade, sentado sob um arco e ladeado pelos símbolos de dois evangelistas. É uma obra capital da escultura portuguesa primitiva. Outra escultura de mérito do século XV, bem como as pias de agua benta, manuelinas, completam o recheio nada despiciendo deste templo.” (Nelson Correia Borges)
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BOLHO
 
Nada se conhece do povoamento do território desta freguesia antes do século XII, e mesmo depois são raras as informações; contudo, não pode ter-se em dúvida, pela própria povoação do território de Montemor-Coimbra, que esse povoamento é muito remoto. A Bolho se refere um documento de 1113, pelo qual Salvador Sadines e sua mulher Susana, vendem a Randulfo Zuleimaniz e a sua mulher Justa, metade da "villa di Bolio", ou seja, a parte que ficava "trans illo rego qui est pro ad illa fontanina" nessa "villa quod dicitur Bolio quod fuit se soecrum meum Mofarrig Azaqui". Este "Mofarrig Azaqui" é o pai de D. Susana, a concessora, e o seu nome é um atestado completo de moçarabismo e denuncia o modo de repovoamento local: devia ter sido tomada nos princípios do governo de Conde Sisnando (também moçárabe) depois de 1064, e, depois, repovoada.
Quanto à instituição paroquial, também pouco se conhece, porém, julga-se que seja muito remota. Depois da Idade Média, a igreja aparece como priorado da apresentação dos Condes de Cantanhede. Administrativamente, a freguesia de Bolho foi sempre do termo de Cantanhede.~
 
DONATÁRIOS
Foram seus donatários os condes de Pombeiro (mais tarde, Marqueses de Belas). Na altura, o prior recebia 250$00 réis de renda. A Igreja Paroquial de Bolho, cuja construção parece datar de 1669, tem três altares com escultura artística, principalmente o Altar-Mor. O sino grande da Torre foi fundido em 1798.
 
ARQUEOLOGIA
Foram seus donatários os condes de Pombeiro (mais tarde, Marqueses de Belas). Na altura, o prior recebia 250$00 réis de renda. A Igreja Paroquial de Bolho, cuja construção parece datar de 1669, tem três altares com escultura artística, principalmente o Altar-Mor. O sino grande da Torre foi fundido em 1798.